Estudos do Igam detalham qualidade da água do Rio das Velhas, Paraopeba e Pará

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) disponibilizou em seu site, estudos que apresentam a situação de qualidade dos corpos de água de três importantes bacias mineiras: dos Rios das Velhas, Paraopeba e Pará. A consolidação dos dados e os resultados apresentados têm como principal objetivo identificar os municípios com condição crítica de qualidade da água, o que possibilitará o planejamento e a gestão BA dos recursos hídricos.

Os estudos servirão, também, como importante ferramenta para o fornecimento de informações básicas necessárias para a definição de estratégias e para subsidiar a formação e atuação dos Comitês de Bacia. A avaliação da qualidade das águas mineiras já é realizada há dezesseis anos pelo Igam, por meio da operação da rede de monitoramento.

A qualidade das águas das bacias dos rios das Velhas, Pará e Paraopeba foi avaliada por meio do Índice de Qualidade das Águas (IQA), levando em consideração a avaliação de nove parâmetros considerados mais representativos para fins de saneamento dentro do IQA: oxigênio dissolvido, coliformes termotolerantes, pH, demanda bioquímica de oxigênio, nitrato, fosfato total, temperatura da água, turbidez e sólidos totais

O estudo classificou o IQA nos corpos de água no período de 2000 a 2012 e avaliou a sua evolução, além do levantamento e análise dos parâmetros que mais influenciaram as ocorrências de IQA ruim ou muito ruim nesse período. Analisou e discutiu os parâmetros que refletem os impactos dos lançamentos de esgotos e identificou e discutiu sobre os cinco municípios prioritários para tratamento de esgoto em cada bacia, a fim de garantir a melhoria da qualidade das águas e o enquadramento dos corpos de água.

Bacia do rio das Velhas

O rio das Velhas tem sua nascente principal na cachoeira das Andorinhas, município de Ouro Preto. Toda a bacia está localizada no Estado de Minas Gerais e compreende uma área de 29.173 Km2, onde estão localizados 51 municípios, com uma população de aproximadamente 4,8 milhões de habitantes. O rio das Velhas deságua no rio São Francisco em barra do Guaicuí, distrito de Várzea da Palma. A bacia hidrográfica é dividida em trechos, segundo os cursos alto, médio e baixo.

Os resultados do estudo para esta bacia concluíram que os municípios prioritários para o desenvolvimento de ações são Belo Horizonte, Sabará, Sete Lagoas, Santa Luzia e Caeté. Os mesmos se encontram na região denominada Médio curso do rio das Velhas, que comporta um grande contingente populacional. A área abrange grande parte da região metropolitana de Belo Horizonte e possui um vasto parque industrial, o que contribui para que esse seja a região com maior comprometimento dos recursos hídricos devido à influência dos lançamentos de esgotos domésticos e efluentes industriais.

Revitalização

Para reverter esse quadro, ações para a recuperação da qualidade das águas na bacia do rio das Velhas já vem sendo desenvolvidas desde 2003, dentro do Projeto Estratégico Meta 2014.  As ações preveem a recuperação das águas, a volta do peixe e a possibilidade de nadar no trecho do rio das velhas localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) até 2015. Desde 2007, o Governo de Minas vem realizando um esforço inédito na revitalização da bacia, com o maior investimento feito no Brasil. Até 2011, foi aplicado R$ 1,3 bilhão em obras e ações de saneamento, projetos de esgotamento sanitário, mobilização social e outras ações para proteção e execução da recuperação ambiental na bacia. Até 2015, serão investidos mais R$ 500 milhões.

Em 2013 diversos avanços foram alcançados pelo Projeto, como o aumento do percentual de esgoto tratado, elevando o índice para 82,53%; a recuperação de mais 100 hectares de áreas degradadas ao longo da bacia o plantio de mudas e cercamento de nascentes; o início do curso de capacitação da região do médio Velhas na operação técnica de resíduos sólidos urbanos e tratamento de esgoto, a entrega da proposta do cadastro e controle de caminhões à vácuo (limpa-fossa); a conclusão de 17 obras de saneamento na sub-bacia da Pampulha e a realização do Projeto de mobilização e educação ambiental “Nadando com o Théo pelo rio das Velhas”, com a promoção de 108 eventos e visitação de 36 municípios. Cerca de 32 mil pessoas entre crianças, adolescentes, jovens e adultos participaram da expedição.

Para 2014 o foco das ações será a eliminação de lixões em 46 municípios, com um investimento de mais de R$ 1 milhão.

Bacia do rio Pará

O rio Pará é um dos principais corpos de água da bacia do rio São Francisco. Possui uma área de drenagem igual a 12.233 Km², representando cerca de 2% da superfície de todo o Estado de Minas Gerais. Nasce com o nome de ribeirão Cajurú, nas vertentes das serras da Galga e da Cebola e desagua no rio São Francisco, próximo ao reservatório de Três Marias, na divisa dos municípios de Pompéu e Martinho Campos. A bacia sedia 27 municípios.

O estudo para a Bacia do rio Pará concluiu que os municípios que mais contribuem para o comprometimento da qualidade dos corpos d’água foram São Gonçalo do Pará, Nova Serrana, Pará de Minas, Itaúna e Passa Tempo. Os mesmos se encontram nas regiões denominadas Alto e Médio cursos do rio Pará, que comportam um grande contingente populacional. A região também possui uma grande concentração de indústrias em relação ao restante da bacia, o que, juntamente com a parcela de esgotos não tratados, aumenta os reflexos na má qualidade dos recursos hídricos.

Bacia do rio Paraopeba

A bacia do rio Paraopeba está localizada na região central de Minas Gerais e possui uma área de 12.054 Km², correspondendo a 2,5% da área total do Estado. Abrange 48 municípios e 35 sedes municipais, com uma população total de 930.560 habitantes. O rio Paraopeba, principal corpo de água da bacia, nasce no extremo sul da Serra do Espinhaço, município de Cristiano Otoni, e percorre uma extensão de 510 km, desaguando na represa de Três Marias, no município de Felixlândia.

Os resultados avaliados neste estudo apresentaram os municípios de Betim, Ibirité, Conselheiro Lafaiete, Mateus Leme e Congonhas como os mais estratégicos para investimentos em tratamento de efluentes domésticos da bacia do rio Paraopeba. Estes municípios se encontram nas regiões denominadas Médio e Baixo curso do rio Paraopeba, que comportam um grande contingente populacional.

Além da alta população, a mesma região, que abrange parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, apresenta, sobretudo em Betim e proximidades, uma grande concentração de indústrias em relação ao restante da bacia, o que, juntamente com a parcela de esgotos não tratados, também é fator que contribui significativamente, potencializando os reflexos na má qualidade da água.

Fonte: http://www.igam.mg.gov.br/banco-de-noticias/1-ultimas-noticias/1439-estudos-do-igam-detalham-qualidade-da-agua-em-bacias-mineiras

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