No mercado esportivo brasileiro, o ESG no futebol deixou de ser apenas uma pauta institucional e passou a envolver métricas, transparência, gestão de riscos e relacionamento com patrocinadores, investidores e torcedores.
O avanço mais recente é a criação de mecanismos que tentam medir o que antes aparecia de forma dispersa em campanhas sociais, projetos ambientais e políticas de integridade. Ao mesmo tempo, ainda existe uma diferença grande entre divulgar uma iniciativa e transformá-la em processo contínuo, com indicadores, documentos e prestação de contas.
Resumo
- O futebol brasileiro avança da ação pontual para modelos de ESG com critérios e evidências.
- O IBSF pretende avaliar clubes das Séries A e B em dimensões ambientais, sociais e de governança.
- CBF, FPF e clubes como o Botafogo já estruturam programas, comitês ou relatórios próprios.
- Os principais desafios são mensuração, transparência, continuidade e integração do ESG à gestão.
O que mudou no ESG do futebol brasileiro?
O principal avanço está na passagem de uma lógica de comunicação para uma lógica de gestão. Durante anos, clubes e entidades realizaram projetos sociais, campanhas de inclusão, ações ambientais e iniciativas de compliance sem necessariamente tratá-los como parte de uma mesma agenda.
Hoje, o movimento é de organizar essas frentes, estabelecer responsáveis, criar políticas e demonstrar resultados. Isso aproxima o ESG daquilo que já ocorre em setores empresariais mais maduros.
O estudo publicado em 2025 na Revista DELOS analisou iniciativas de clubes brasileiros tendo como referência a ABNT PR 2030:2022. A pesquisa ajuda a mostrar que a discussão não se limita ao meio ambiente: envolve inclusão, governança, responsabilidade social e processos organizacionais.
Para quem trabalha com branding esportivo, isso também amplia o cuidado com a coerência entre discurso institucional e prática.
O IBSF cria uma nova camada de comparação
O Índice Brasileiro de Sustentabilidade no Futebol, ou IBSF, é um dos sinais mais claros dessa mudança. Segundo o Terra, o projeto prevê 86 perguntas e coleta de evidências documentais junto aos clubes das Séries A e B. O diagnóstico inicial está previsto para 2027 e deve abordar temas como emissões, resíduos, diversidade, códigos de ética, participação feminina em conselhos, transparência contratual e relação com plataformas de apostas.
Esse modelo tende a mudar a conversa com patrocinadores. Em vez de um clube apresentar apenas campanhas ou projetos isolados, passa a existir espaço para indicadores comparáveis, processos internos e evolução ao longo do tempo. Isso pode fortalecer propostas de patrocínios esportivos nas quais a marca busca associação com valores ambientais, sociais ou de integridade, desde que a entrega seja comprovável e não apenas promocional.
| Pilar | Exemplos de temas | Impacto para o negócio esportivo |
| Ambiental | Emissões, energia, água, resíduos e mobilidade | Eficiência operacional, reputação e novas ativações |
| Social | Diversidade, inclusão, base, comunidade e combate à discriminação | Relacionamento com fãs, legitimidade e valor de marca |
| Governança | Ética, transparência, contratos, controles e anticorrupção | Confiança de patrocinadores, investidores e parceiros |
Quais avanços já podem ser observados?
A agenda ganhou institucionalidade. A Federação Paulista de Futebol formalizou em março de 2026 a composição de seu Comitê Ambiental, Social e Governança. A própria FPF também levou o tema para a formação profissional por meio de curso de ESG na gestão esportiva. Isso demonstra que a pauta começa a chegar aos processos, às equipes e à capacitação de gestores.
Na esfera nacional, o CBF Impacta organizou a atuação da entidade em três zonas alinhadas aos pilares ESG. No ambiental, a proposta inclui inventários de emissões, fontes limpas, água, resíduos e economia circular. No social, a CBF vinculou o programa à formação de jovens atletas. Na governança, relacionou a agenda ao sistema de sustentabilidade financeira. Para o mercado, essa estrutura cria pontos concretos para projetos, parceiros e ativações no esporte.
Os clubes também começam a publicar evidências próprias. O Botafogo divulgou seu Relatório ESG 2024 em janeiro de 2025, reunindo ações ambientais, sociais e de governança. O documento ainda associa sustentabilidade à gestão de longo prazo e à relação com públicos estratégicos.
Para marcas, esse tipo de relatório facilita a avaliação de compatibilidade entre parceiro e propriedade esportiva, especialmente quando há metas de sustentabilidade ou integridade corporativa.
Onde estão os principais desafios?
O primeiro desafio é transformar iniciativas em sistema de gestão. O levantamento da Martinelli sobre o IBSF destaca justamente a necessidade de dados, evidências, controles internos e transparência. Um clube pode ter bons projetos sociais ou ambientais, mas ainda assim encontrar dificuldades para documentar processos, definir indicadores, acompanhar metas e publicar informações de forma regular.
O segundo desafio é evitar que ESG vire apenas linguagem de campanha. A obra ESG na Gestão Esportiva, publicada em 2025, inclui entre seus temas governança, equidade de gênero, combate ao racismo, responsabilidade social, sustentabilidade e até greenwashing no esporte. Isso reforça que o valor de marca depende da consistência entre aquilo que a organização comunica e aquilo que consegue demonstrar.
Há ainda uma questão de escala. Clubes grandes podem ter departamentos jurídicos, financeiros, de sustentabilidade e compliance, enquanto organizações menores trabalham com equipes enxutas. Por isso, uma agenda ESG aplicável ao futebol brasileiro precisa permitir diferentes níveis de maturidade. O ponto de partida pode ser simples: mapear riscos, definir responsáveis, estabelecer poucas metas verificáveis e publicar avanços periodicamente.
O que profissionais de marketing e gestão podem aprender?
Para quem atua fora das quatro linhas, ESG deve ser tratado como parte do planejamento comercial e institucional. Patrocinadores podem buscar propriedades que demonstrem alinhamento com seus compromissos corporativos; torcedores podem cobrar posições e transparência; investidores podem observar governança; e parceiros públicos ou privados podem exigir evidências. Isso transforma políticas ambientais, sociais e de integridade em ativos de relacionamento, desde que estejam apoiadas em práticas reais.
Também há espaço para novas métricas de marketing. Além de alcance, exposição de marca e engajamento, projetos associados ao ESG podem acompanhar participação de torcedores, volume de resíduos destinado corretamente, pessoas atendidas, diversidade em programas, eficiência de recursos ou adesão a políticas de integridade. A escolha dos indicadores depende do projeto e precisa evitar números decorativos sem metodologia clara.
O próximo avanço será ligar propósito, evidência e negócio
O futebol brasileiro já apresenta sinais concretos de amadurecimento: índices em construção, programas de entidades nacionais, comitês, relatórios e produção acadêmica.
O próximo estágio é fazer com que essas iniciativas sobrevivam a mandatos, temporadas e campanhas de comunicação. Isso exige metas, responsáveis, dados comparáveis e prestação de contas capaz de ser compreendida por torcedores, marcas, investidores e profissionais do esporte.
Nesse cenário, o ESG no futebol tende a ser menos uma etiqueta e mais uma disciplina de gestão que conecta reputação, eficiência, integridade e relacionamento com públicos estratégicos. Para quem trabalha com marketing esportivo, a oportunidade está em transformar práticas verificáveis em valor de longo prazo, sem separar propósito de resultado.
Para acompanhar esse e outros movimentos do setor, as novidades do mundo dos esportes do Ataque Marketing ajudam a manter a leitura atualizada sobre o mercado.
Perguntas frequentes (FAQ)
ESG no futebol é a aplicação de critérios ambientais, sociais e de governança à gestão de clubes, federações, ligas e demais organizações esportivas. A dimensão ambiental inclui temas como energia, água, resíduos e emissões. A social envolve diversidade, inclusão e relação com comunidades. A governança trata de ética, transparência, controles, integridade e prestação de contas.
Clubes podem medir emissões, melhorar a eficiência energética de estádios e centros de treinamento, reduzir desperdício de água, estruturar coleta seletiva, revisar a gestão de resíduos e trabalhar a mobilidade em dias de jogo. A prioridade deve ser definida conforme o impacto real da operação, com metas mensuráveis e acompanhamento periódico.
Práticas ESG documentadas podem ampliar o repertório comercial de uma propriedade esportiva, especialmente quando patrocinadores possuem compromissos próprios de sustentabilidade, diversidade ou governança. A compatibilidade pode gerar projetos conjuntos e ativações com propósito definido. Isso não substitui métricas de marketing, mas acrescenta critérios de reputação, risco e impacto à relação comercial.
O IBSF é uma iniciativa criada para diagnosticar práticas ambientais, sociais e de governança de clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O projeto divulgado em 2026 prevê questionário, envio de evidências documentais, avaliação técnica e publicação dos resultados, permitindo acompanhar a evolução das organizações ao longo do tempo.
Um dos maiores desafios é transformar iniciativas pontuais em processos permanentes de gestão. Isso envolve definir responsáveis, registrar evidências, criar indicadores, acompanhar metas e prestar contas de forma consistente. Também é necessário adaptar a agenda à realidade financeira e operacional de cada organização para que ela não dependa apenas de campanhas ou momentos específicos.
QUERO UMA DEMONSTRAÇÃO









