Os indicadores de sustentabilidade são métricas utilizadas para acompanhar impactos, riscos, metas e resultados ambientais, sociais e econômicos de uma organização. Exemplos incluem emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia e água, geração de resíduos, acidentes de trabalho, diversidade e investimentos sociais. A escolha deve considerar os temas materiais e a realidade de cada empresa.
Resumo
- O que são indicadores de sustentabilidade.
- Exemplos ambientais, sociais e econômicos.
- Como escolher indicadores relevantes.
- Relação entre materialidade, metas e KPIs.
- Referências como GRI, ISO e IFRS Sustainability.
- Como monitorar e reportar os resultados.
Fatos rápidos
- Materialidade: conforme o GRI 3, os temas materiais representam os impactos mais significativos da organização sobre a economia, o meio ambiente e as pessoas, inclusive os direitos humanos.
- Desempenho ambiental: a ISO 14031:2021 orienta a avaliação de desempenho ambiental, sem estabelecer níveis obrigatórios de desempenho ou requisitos de certificação.
- Divulgação financeira: as normas IFRS S1 e IFRS S2 tratam de riscos e oportunidades de sustentabilidade e clima que podem afetar as perspectivas financeiras da organização, observada a sua aplicabilidade.
O que são indicadores de sustentabilidade?
Indicadores de sustentabilidade são métricas quantitativas ou qualitativas usadas para avaliar impactos e acompanhar o desempenho de uma empresa no meio ambiente, na sociedade e na economia. Exemplos incluem emissões de GEE (tCO₂e), consumo de água (m³), acidentes de trabalho (taxa) e investimentos sociais (R$). Orientam metas e o monitoramento dos resultados, com apoio de referências como GRI, ISO 14031, SASB e CDP, conforme o objetivo do reporte.
As métricas resultantes dessa avaliação são coletadas e direcionadas a um plano de sustentabilidade corporativa – em outras palavras, uma estipulação de diretrizes estratégicas para a prevenção e correção de atividades que apresentem desacordo com os critérios vigentes de segurança ambiental.
Trata-se, portanto, de um instrumento efetivo para avaliar e, posteriormente, manter ou reduzir efeitos negativos produzidos pelas atividades da empresa, como, por exemplo, os níveis de emissão de carbono e resíduos.
E é justamente por esse motivo que os indicadores de sustentabilidade se relacionam diretamente a uma série de padrões – normas voluntárias das mais variadas naturezas, como, por exemplo, ambientais, sociais e éticas. A adoção desses critérios é um fator essencial para que a empresa em questão meça seu desempenho e revele, de forma transparente, a maneira como conduz os seus planos, firmando seu compromisso em relação a um tema de tamanha importância.
Nesse sentido, existem diferentes padrões e guias para auxiliar empresas na definição, na medição e na divulgação de indicadores de sustentabilidade. A escolha depende dos impactos materiais, do setor de atuação e das exigências aplicáveis, sem que a adoção isolada de um padrão assegure desempenho sustentável.
Dentre os instrumentos disponíveis, além dos padrões do Global Reporting Initiative (GRI) e das normas ISO, destacam-se os SASB Standards, que oferecem métricas setoriais para informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, e o CDP, voltado à divulgação de dados ambientais. O antigo IIRC desenvolveu o Integrated Reporting Framework, hoje mantido no âmbito da IFRS Foundation, após a consolidação de 2022. Já o GRI prioriza os impactos mais significativos da organização, enquanto IFRS S1/S2 focam informações financeiramente materiais sobre sustentabilidade e clima.
Todas essas ferramentas e iniciativas, entre outras, orientam as organizações na implementação e comunicação de práticas sustentáveis, contribuindo para um mundo mais equilibrado e responsável.
Quais são os principais indicadores de sustentabilidade?
Indicadores de sustentabilidade são ferramentas cruciais para avaliar o impacto das estratégias empresariais no meio ambiente, sociedade e economia. Eles fornecem insights valiosos, facilitando a transição para práticas que promovem um desenvolvimento sustentável. Sua aplicação abrange desde a gestão ambiental até a responsabilidade social e econômica, direcionando empresas a um futuro mais sustentável.
O crescimento econômico é importante para a continuidade dos negócios, mas precisa caminhar lado a lado com o respeito às comunidades, às pessoas e ao meio ambiente.
Para se ter uma ideia da importância dessa questão, podemos citar o Guia Para A Sustentabilidade Corporativa, produzido pelo programa Global Compact, da ONU. O documento afirma que, para que uma empresa seja considerada sustentável, é preciso estar em dia com os seguindo critérios:
- atuar de maneira responsável e alinhada com os princípios universais;
- dinamizar ações que de apoio à sociedade;
- manter compromisso com a sustentabilidade no DNA corporativo;
- publicar, anualmente, relatórios divulgando os seus esforços;
- promover envolvimento com as comunidades dos locais onde estão estabelecidas.
A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas (WCED), no Relatório Brundtland de 1987, formulou o conceito de desenvolvimento sustentável: atender às necessidades presentes sem comprometer as possibilidades das futuras gerações. O conceito não é uma certificação ou definição formal de empresa sustentável, mas serve de referência para seus compromissos e indicadores.
E é justamente com o propósito de guiar a condução das políticas sustentáveis pelas empresas que se estabelece a divisão dos indicadores de sustentabilidade em três pilares principais, sobre os quais falaremos a seguir:
Indicadores ambientais
Os indicadores de sustentabilidade ambiental servem para fazer a métrica dos impactos causados pelas atividades das empresas ao meio ambiente. Mais do que simplesmente minimizar os impactos negativos, esses indicadores objetivam, em última instância, gerar novos impactos positivos.
Por isso, os indicadores ambientais realizam uma abordagem completa, considerando todo o ciclo de vida do produto, além de observar a estrutura interna da companhia em todos os seus níveis, de forma que as boas práticas sejam absorvidas pela cultura da empresa.
Com efeito, esses indicadores trabalham para que a sustentabilidade ambiental seja percebida pela empresa como um fator de motivação e um valioso instrumento de promoção de inovação nas suas atividades, considerando que uma gestão sustentável pode, inclusive, diminuir a vulnerabilidade do negócio em vários níveis, como, por exemplo, nas questões relacionadas à escassez de matéria-prima ou aos custos operacionais.
Como exemplos de indicadores de sustentabilidade ambiental, podemos citar:
- ciclo de vida do produto;
- qualidade do produto;
- saúde ambiental;
- equipamento utilizado;
- consumo de energia;
- consumo de água;
- logística reversa;
- pegada carbônica;
- uso de transporte.
Indicadores sociais
Aqui, é medido o impacto da empresa sobre a comunidade na qual ela se insere – o que se dá tanto em nível interno quanto externo. Em outras palavras, a principal finalidade desses indicadores é gerir de forma proativa os efeitos da atividade corporativa sobre os funcionários, os trabalhadores da cadeia de valor, os clientes, a comunidade local e a sociedade como um todo.
Para garantir a satisfação e o desenvolvimento das pessoas que compõem essas comunidades, é preciso que as empresas possuam um olhar ético sobre os recursos humanos. Em nível interno, isso se dá por meio de uma gestão digna dos recursos humanos, ao oferecer salários justos e ambientes de trabalho favoráveis, inclusivos e sustentáveis. Já no nível externo, faz-se necessário o desenvolvimento de programas de apoio às comunidades locais e um diálogo participativo junto à sociedade.
Como exemplos de indicadores de sustentabilidade social, podemos citar:
- ações de voluntariado;
- programas de apoio à comunidade;
- investimento em intervenções positivas na comunidade;
- impacto social dessas intervenções (SROI);
- geração de postos de trabalho;
- iniciativas de apoio às famílias dos funcionários;
- grau de satisfação dos funcionários;
- diversidade e inclusão no corpo de funcionários;
- quantidade de benefícios sociais para funcionários;
- frequência do usufruto desses benefícios.
Indicadores econômicos
Este tipo de indicador avalia resultados econômicos relevantes para a continuidade do negócio e sua relação com a geração e distribuição de valor. Indicadores puramente financeiros podem complementar a análise de sustentabilidade, mas devem ser interpretados junto aos impactos ambientais e sociais da organização.
Como exemplos de indicadores de sustentabilidade econômicos, podemos citar:
- fundo de maneio e respectivas necessidades;
- percentuais de endividamento e de estrutura de endividamento;
- volume de negócios/passivo;
- liquidez geral e reduzida;
- rentabilidade líquida e operacional de vendas;
- rentabilidade operacional de ativos;
- rentabilidade dos capitais próprios;
- EBITDA (resultado antes de juros, tributos, depreciação e amortização);
- valor Acrescentado Bruto.
| Dimensão | Indicador | Unidade ou forma de acompanhamento |
| Ambiental | Emissões de GEE | tCO₂e |
| Ambiental | Consumo de energia | kWh ou MWh |
| Ambiental | Consumo de água | m³ |
| Ambiental | Resíduos gerados | kg ou toneladas |
| Social | Acidentes de trabalho | Número ou taxa |
| Social | Diversidade | % por grupo analisado |
| Social | Rotatividade | % de turnover |
| Econômica | Valor econômico gerado | R$ |
| Econômica | Investimentos socioambientais | R$ ou % da receita |
Para acompanhar esses KPIs, registre a linha de base, a unidade de medida, a fonte dos dados, a periodicidade, o responsável e a meta. A comparação deve manter escopo e método consistentes; por exemplo, emissões totais em tCO₂e e intensidade de emissões por unidade produzida respondem a perguntas diferentes.
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- Gerenciamento de requisitos legais e monitoramento ESG
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Como definir e acompanhar indicadores de sustentabilidade?
O uso correto dos indicadores de sustentabilidade está diretamente relacionado a um plano construído a partir da análise de materialidade. Nos padrões GRI, ela considera os impactos mais significativos da organização sobre economia, meio ambiente e pessoas; em divulgações financeiras IFRS S1/S2, considera as informações sobre riscos e oportunidades capazes de influenciar as decisões dos usuários dos relatórios. O recorte deve refletir a realidade do negócio e a finalidade da medição.
Na prática, a organização começa pelo mapeamento dos impactos, riscos e temas materiais e pela identificação dos públicos afetados. Com essas prioridades definidas, escolhe os indicadores capazes de acompanhar resultados e orientar objetivos e decisões.
A seguir, é chegado o momento de definir os objetivos sustentáveis da empresa. Mais do que isso, deve-se assegurar que cada um desses objetivos seja alcançável, medível, específico, relevante e isolado no tempo. Do contrário, as metas podem acabar tornando-se vagas ou inalcançáveis, e os indicadores perderiam totalmente seu propósito e eficiência.
Uma vez definidos os objetivos, é preciso traçar e priorizar as ações sustentáveis concretas, em um plano objetivo e de fácil compreensão e implementação. Esse plano deverá incluir prazos e um orçamento que o viabilizem, sempre evitando desperdícios – afinal de contas, estamos falando em sustentabilidade.
Por fim, será necessário medir o progresso das atividades em relação ao plano. Isso se dá principalmente por meio de relatórios periódicos – um instrumento essencial para guiar as tomadas de decisões.
Nesses relatórios, os indicadores de sustentabilidade tornam a aparecer, para que os resultados sejam comparados aos objetivos estabelecidos e quaisquer medidas relevantes sejam adotadas.
Após ler este artigo, você já pôde perceber que indicadores de sustentabilidade são ferramentas indispensáveis para que o seu plano de sustentabilidade corporativa produza os resultados ideais.
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São métricas utilizadas para acompanhar impactos e resultados ambientais, sociais e econômicos de uma organização.
Emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia, água, matérias-primas e geração de resíduos.
Acidentes de trabalho, diversidade, rotatividade, treinamento, satisfação dos trabalhadores e investimentos sociais.
Comece pelos impactos e temas materiais da organização e escolha métricas que possuam fonte de dados, periodicidade, responsáveis e metas claramente definidos.
Não. O GRI fornece padrões para reporte de impactos, enquanto a ISO 14001 estabelece requisitos para sistemas de gestão ambiental.
É uma norma que fornece diretrizes para avaliação do desempenho ambiental das organizações.












