Conheça as principais normas SGI, entenda quais podem ser certificadas e veja as versões atuais de qualidade, meio ambiente, SST, riscos, segurança da informação e outras áreas.
As normas SGI não formam um pacote fixo e obrigatório. Um Sistema de Gestão Integrado combina requisitos e práticas de diferentes referenciais, como ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001, de acordo com os riscos, objetivos e obrigações da organização. Essa integração também pode considerar diversas normas e padrões existentes, requisitos legais e outros sistemas de gestão aplicáveis ao negócio.
Em 2026, esse tema exige atenção especial porque algumas referências importantes mudaram. A ISO 14001:2026 já substituiu a edição de 2015; a próxima ISO 9001 está em fase final de publicação; a ISO 45001:2018 continua vigente, mas possui uma nova edição em desenvolvimento; e normas complementares como ISO 37001 e ISO 55001 também receberam revisões recentes.
Por isso, mais importante do que perguntar “quais são as normas do SGI?” é entender quais sistemas de gestão fazem sentido integrar e qual versão de cada norma deve ser considerada no planejamento, na auditoria e na certificação.
Resumo
- SGI não é uma norma ISO específica, mas uma abordagem para integrar diferentes sistemas de gestão.
- ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001 formam uma combinação recorrente em sistemas integrados.
- A ISO 26000 pode apoiar responsabilidade social, mas não é uma norma de sistema de gestão certificável.
- A ISO 14001:2026 já é a edição atual da norma ambiental.
- A ISO 9001:2015 continua vigente enquanto a edição 2026 está em fase final de publicação.
- Normas de riscos, TI, continuidade, antissuborno, segurança da informação, energia e ativos podem complementar o SGI.
Fatos rápidos
- Nova norma ambiental: a ISO 14001:2026 foi publicada em abril de 2026 e substituiu a ISO 14001:2015.
- Qualidade em transição: a ISO informa que a 6ª edição da ISO 9001 está em fase de publicação e deve substituir a edição de 2015 em setembro de 2026.
- ISO 26000 não gera certificação: a própria ISO esclarece que a ISO 26000 fornece orientação sobre responsabilidade social e não é uma norma certificável de sistema de gestão.
O que é um Sistema de Gestão Integrado (SGI)?
Um Sistema de Gestão Integrado reúne requisitos, políticas, processos, controles, indicadores, responsabilidades e auditorias de diferentes sistemas de gestão em uma estrutura coordenada. Em vez de manter uma gestão isolada para qualidade, outra para meio ambiente e outra para saúde e segurança, a organização procura aproveitar aquilo que esses sistemas têm em comum.
Essa lógica está relacionada à conformidade de diversas normas e regulamentos, mas não significa transformar todos os requisitos em um documento único. Obrigações específicas de cada área continuam existindo e precisam ser tratadas de forma adequada.
Na prática, a integração pode abranger estrutura documental, avaliação de riscos e oportunidades, definição de objetivos, competências, comunicação, controles operacionais, auditorias internas, análise crítica da direção e melhoria contínua.
Essa compatibilidade é facilitada pela estrutura harmonizada utilizada nas normas ISO de sistemas de gestão. Ela ajuda organizações a integrar requisitos sem precisar criar sistemas completamente independentes para cada certificação.
Por que as normas SGI são importantes para as empresas?
O principal benefício de um SGI bem estruturado é reduzir sobreposições. Procedimentos de controle documental, análise de contexto, gestão de riscos, treinamento, auditoria e análise crítica podem ser organizados de maneira coordenada, preservando as exigências específicas de cada norma.
Isso pode tornar a gestão mais consistente, melhorar a rastreabilidade das obrigações e reduzir atividades duplicadas. O resultado, entretanto, depende da maturidade do sistema. Integrar documentos sem integrar responsabilidades, indicadores e processos não elimina silos.
Outro benefício é aproximar a certificação da operação real. Em vez de tratar normas como uma atividade paralela conduzida apenas antes das auditorias, a empresa pode incorporar requisitos às rotinas de qualidade, ambientais, ocupacionais e administrativas.
A relevância do SGI para os clientes
Certificações e práticas estruturadas de gestão também podem influenciar relações comerciais. Clientes empresariais podem incluir requisitos de qualidade, meio ambiente, SST ou compliance na homologação de fornecedores, enquanto consumidores demonstram atenção crescente às práticas socioambientais das marcas.
Esse comportamento já aparecia em pesquisas sobre a preferência por empresas comprometidas com a redução do impacto ambiental. Ainda assim, a existência de um SGI não deve ser apresentada como garantia automática de confiança ou preferência: certificações precisam corresponder a práticas efetivamente implementadas e continuamente avaliadas.
Quais normas formam a base de um SGI?
Não existe uma lista oficial de normas que toda organização seja obrigada a combinar em um SGI. A composição depende do setor, dos riscos, dos requisitos contratuais, da legislação e dos objetivos estratégicos.
Para muitas organizações, porém, ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001 formam o núcleo mais recorrente porque tratam respectivamente de qualidade, gestão ambiental e saúde e segurança ocupacional e utilizam estruturas compatíveis de sistema de gestão.
| Norma | Área | Status em setembro de 2026 | Certificável? |
|---|---|---|---|
| ISO 9001 | Gestão da qualidade | ISO 9001:2015 vigente; edição 2026 em publicação | Sim |
| ISO 14001 | Gestão ambiental | ISO 14001:2026 publicada | Sim |
| ISO 45001 | Saúde e segurança ocupacional | ISO 45001:2018 vigente; nova edição em desenvolvimento | Sim |
| ISO 26000 | Responsabilidade social | ISO 26000:2010 confirmada em 2025 | Não |
ISO 9001 — Gestão da Qualidade
A ISO 9001 estabelece requisitos para sistemas de gestão da qualidade. Ela orienta a organização a estruturar processos, responsabilidades, objetivos, avaliação de desempenho e melhoria contínua com foco na capacidade de fornecer produtos e serviços de forma consistente.
Em setembro de 2026, existe uma mudança importante em andamento: a ISO 9001:2015 continua sendo a edição publicada vigente, juntamente com sua Emenda 1:2024 sobre ação climática, enquanto a sexta edição está no estágio de publicação e deve substituí-la ainda em setembro de 2026.
Empresas certificadas precisam acompanhar a publicação final e as orientações de transição de seus organismos certificadores, evitando atualizar procedimentos com base apenas em drafts anteriores à versão definitiva.
ISO 14001 — Gestão Ambiental
A ISO 14001 estabelece requisitos para um sistema de gestão ambiental capaz de apoiar a organização no gerenciamento de aspectos ambientais, obrigações de conformidade, objetivos e melhoria do desempenho ambiental.
A principal atualização deste artigo é que a edição de 2015 já não é a atual. A ISO 14001:2026 foi publicada em abril de 2026 e passou a ser a referência vigente.
A nova edição preserva a lógica de sistema de gestão, mas aprimora clareza e alinhamento com temas ambientais contemporâneos, incluindo mudanças climáticas, biodiversidade e eficiência no uso de recursos. Organizações certificadas na edição de 2015 devem alinhar a transição com seu organismo certificador.
ISO 45001 — Saúde e segurança no trabalho
A ISO 45001 estabelece requisitos para sistemas de gestão de saúde e segurança ocupacional. O objetivo é oferecer uma estrutura para eliminar perigos, reduzir riscos de SST, melhorar o desempenho e proporcionar condições de trabalho seguras e saudáveis.
A edição vigente continua sendo a ISO 45001:2018, acrescida da Emenda 1:2024 sobre ação climática. Em 2026, uma nova edição está em desenvolvimento como Draft International Standard, mas ainda não substitui a norma atual.
No Brasil, a implantação também precisa dialogar com a legislação de SST e com as Normas Regulamentadoras aplicáveis à atividade. Certificação ISO e conformidade legal são dimensões relacionadas, mas não equivalentes.
ISO 26000 — Responsabilidade Social
A ISO 26000:2010 fornece orientações sobre responsabilidade social, incluindo governança, direitos humanos, práticas de trabalho, meio ambiente, práticas leais de operação, consumidores e envolvimento com comunidades.
Ela pode complementar a estratégia de um SGI, mas há uma diferença fundamental: ISO 26000 não é uma norma de sistema de gestão e não pode ser objeto de certificação. Sua função é orientar princípios e práticas de responsabilidade social.
Por isso, não é adequado colocá-la no mesmo nível de obrigatoriedade das normas 9001, 14001 e 45001. Ela deve entrar no SGI quando a organização considerar sua orientação relevante para os objetivos e compromissos assumidos.
Quais normas ISO específicas podem complementar um SGI?
Outras normas podem ser incorporadas conforme o perfil da organização. Algumas possuem requisitos certificáveis; outras fornecem diretrizes para apoiar decisões e controles.
ISO 31000 — Gestão de riscos
A ISO 31000:2018 fornece princípios e diretrizes para gestão de riscos. Ela permanece vigente em 2026, embora esteja marcada pela ISO para revisão. Não é uma norma destinada à certificação de sistemas de gestão.
Seu conteúdo pode apoiar a identificação, análise, avaliação, tratamento e monitoramento de riscos que atravessam diferentes componentes do SGI.
ISO/IEC 20000-1 — Gestão de serviços de TI
A denominação mais precisa é ISO/IEC 20000-1:2018. Ela estabelece requisitos para um sistema de gestão de serviços de TI e permanece vigente, com Emenda 1:2024.
É especialmente relevante quando serviços de tecnologia são críticos para a entrega de valor, para os clientes ou para a continuidade dos demais processos integrados.
ISO 22301 — Continuidade de negócios
A ISO 22301:2019 define requisitos para um sistema de gestão de continuidade de negócios, ajudando organizações a se preparar, responder e recuperar-se de interrupções.
A edição de 2019 permanece vigente com Emenda 1:2024, mas a ISO já iniciou a preparação de uma nova edição em 2026. Portanto, organizações que integram continuidade ao SGI devem acompanhar essa revisão.
ISO 37001 — Antissuborno
A norma foi atualizada recentemente. A edição vigente é a ISO 37001:2025, que estabelece requisitos e orientação para sistemas de gestão antissuborno.
Ela pode ser integrada a estruturas de compliance, controles internos e gestão de riscos para prevenir, detectar e responder a situações de suborno.
ISO/IEC 27001 — Segurança da informação
A edição atual é a ISO/IEC 27001:2022, com Emenda 1:2024. Ela estabelece requisitos para um sistema de gestão de segurança da informação e pode ser integrada ao SGI quando confidencialidade, integridade e disponibilidade dos dados são críticas para a operação.
Esse tema se tornou ainda mais importante diante do volume de dados armazenados em meios eletrônicos e das obrigações relacionadas à proteção e governança das informações.
ISO 50001 — Gestão de energia
A ISO 50001:2018 continua vigente e foi confirmada pela ISO em 2024. A norma possui a Emenda 1:2024 e orienta a implantação de um sistema de gestão de energia voltado à melhoria do desempenho energético, incluindo eficiência, uso e consumo.
ISO 55001 — Gestão de ativos
A edição atual é a ISO 55001:2024, que substituiu a versão de 2014. Ela estabelece requisitos para sistemas de gestão de ativos e reforça temas como tomada de decisão, geração de valor, planejamento, riscos, dados e operações ao longo do ciclo de vida.
| Norma complementar | Edição atual | Principal aplicação |
|---|---|---|
| ISO 31000 | 2018 | Diretrizes de gestão de riscos |
| ISO/IEC 20000-1 | 2018 + Amd 1:2024 | Gestão de serviços de TI |
| ISO 22301 | 2019 + Amd 1:2024 | Continuidade de negócios |
| ISO 37001 | 2025 | Sistema de gestão antissuborno |
| ISO/IEC 27001 | 2022 + Amd 1:2024 | Segurança da informação |
| ISO 50001 | 2018 + Amd 1:2024 | Gestão de energia |
| ISO 55001 | 2024 | Gestão de ativos |
Quais empresas podem adotar normas em um SGI?
Um SGI pode ser estruturado por organizações de diferentes portes e setores. O que varia é sua complexidade, o conjunto de normas adotado e o grau de formalização necessário.
Empresas de diferentes tamanhos
Pequenas e médias empresas podem integrar sistemas de gestão sem reproduzir a estrutura de grandes corporações. O escopo precisa ser proporcional ao contexto, aos processos, aos riscos e aos recursos disponíveis.
Empresas com certificações múltiplas
Organizações que mantêm mais de uma certificação costumam encontrar oportunidades de integração em auditorias, documentação, treinamentos, indicadores e análise crítica. Isso pode reduzir redundâncias sem apagar as particularidades de cada norma.
Organizações com requisitos ambientais, de SST ou compliance
Empresas expostas a requisitos legais complexos podem utilizar o SGI para relacionar controles operacionais, obrigações regulatórias, riscos e evidências de conformidade aos sistemas de gestão correspondentes.
Empresas inseridas em cadeias globais
Certificações ISO podem ser requeridas comercialmente por clientes, matrizes ou cadeias de fornecimento. Nesse cenário, integrar diferentes sistemas ajuda a evitar que cada certificação se torne um projeto isolado dentro da organização.
Quais são as vantagens da conformidade com as normas SGI?
Conformidade regulatória
Um SGI pode facilitar o relacionamento entre controles de gestão e obrigações legais. Mas é importante fazer uma distinção: estar certificado em uma norma ISO não significa automaticamente estar em conformidade com toda a legislação.
Requisitos legais precisam ser identificados, atualizados, avaliados e evidenciados conforme a atividade da organização.
Gestão integrada
A integração pode reduzir procedimentos redundantes e estabelecer uma visão única de processos que atendem simultaneamente a mais de uma norma, como controle de documentos, competências, auditoria e tratamento de não conformidades.
Reputação e confiança
Certificações reconhecidas podem funcionar como evidência de que existe um sistema estruturado e auditável. Ainda assim, reputação depende do desempenho efetivo, da transparência e da maneira como os compromissos são aplicados na rotina.
Inovação e sustentabilidade
A avaliação contínua de riscos, objetivos, desempenho e oportunidades pode estimular melhorias em processos, consumo de recursos, prevenção de acidentes, controles ambientais e gestão de ativos.
Competitividade e requisitos de mercado
Em determinados mercados, certificações podem ser um requisito de contratação ou homologação. Uma arquitetura integrada ajuda a administrar esses compromissos de maneira coordenada e a responder com mais consistência a auditorias de clientes e organismos certificadores.
Como escolher quais normas integrar ao SGI?
A escolha deve começar pelo contexto da organização, não por uma lista genérica de certificações. Avalie:
- processos e atividades críticas;
- riscos ambientais, ocupacionais, operacionais, financeiros e reputacionais;
- obrigações legais e regulatórias;
- exigências de clientes e cadeias de fornecimento;
- certificações já existentes;
- capacidade interna para implementar, auditar e manter os sistemas;
- benefício esperado de cada nova norma.
Essa análise também evita uma armadilha comum: buscar várias certificações sem integrar de fato seus processos. O ganho de um SGI surge quando a empresa identifica o que pode ser compartilhado e, ao mesmo tempo, preserva controles específicos necessários para cada área.
Um SGI eficiente não nasce da soma do maior número possível de normas, mas da integração daquelas que respondem aos riscos e objetivos reais da organização. Em 2026, isso também significa acompanhar de perto revisões como ISO 14001:2026 e a futura ISO 9001:2026.
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Perguntas frequentes sobre normas SGI
As normas mais frequentemente integradas são ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001. Outras podem ser incorporadas conforme riscos e objetivos, como ISO/IEC 27001, ISO 22301, ISO 37001, ISO 50001 e ISO 55001.
Não. SGI é a integração de diferentes sistemas de gestão. A organização escolhe quais normas integrar conforme seu contexto, riscos, legislação, requisitos de clientes e objetivos estratégicos.
A edição atual é a ISO 14001:2026, publicada em abril de 2026. Ela substituiu a ISO 14001:2015, e organizações certificadas na versão anterior precisam observar o período de transição aplicável.
Não. A ISO 26000 fornece diretrizes de responsabilidade social e não contém requisitos para certificação. Ela pode complementar práticas de um SGI, mas não deve ser apresentada como uma certificação ISO.
Não. Normas ISO podem exigir que a organização identifique e trate requisitos aplicáveis, mas a certificação não substitui a avaliação específica da legislação e das obrigações regulatórias do empreendimento.










